MILÃO, ITÁLIA — Investigadores de segurança da aviação finalizaram sua análise do notório encosto de cauda envolvendo um LATAM Airlines Boeing 777-300ER, confirmando que um impressionante erro de cálculo de peso de 100 toneladas foi o principal catalisador do acidente. As conclusões, divulgadas pela Agência Nacional para a Segurança do Voo da Itália (ANSV) em fevereiro de 2026, detalham como um simples erro de digitação por uma tripulação experiente levou a um prolongado e danoso arrasto na pista no Aeroporto de Milan Malpensa (MXP).
Relatórios técnicos indicam que o acidente de julho de 2024, no qual a cauda da aeronave raspou o asfalto por mais de 700 metros, teve origem numa discrepância do peso bruto que invalida fundamentalmente o desempenho de decolagem da aeronave. Durante a preparação para o voo LA8073 com destino a São Paulo, a tripulação inseriu um peso de decolagem nos Electronic Flight Bags (EFBs) que foi aproximadamente 100 toneladas métricas inferior ao valor real.
O erro ocorreu quando o comandante em treinamento de linha calculou incorretamente o peso bruto ao tratar de forma errada os valores de combustível. Segundo o relatório da ANSV:
“O resultado, 228.8 tonnes em vez das corretas 328.4 tonnes, foi anunciado verbalmente e subsequentemente usado por ambos os pilotos.”

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A Mecânica de um Quase-Desastre
Como ambos os pilotos utilizaram o mesmo valor incorreto de 228.8 toneladas em suas ferramentas de desempenho independentes, a verificação cruzada pareceu confirmar os dados, mascarando efetivamente o erro. Isso levou os computadores a bordo a calcular uma velocidade de rotação (Vr) de 149 nós, significativamente inferior aos 181 nós realmente necessários para um Boeing 777-300ER totalmente carregado.
À medida que a aeronave acelerava pela Pista 35L, o piloto tentou rotacionar na velocidade prescrita (mas incorreta). A aeronave, sendo 100 toneladas mais pesada do que os sistemas de voo assumiam, não conseguiu decolar e acabou levantando o nariz até que a parte traseira da fuselagem atingiu a pista. Imagens de vigilância e os gravadores de voo confirmam que a cauda permaneceu em contato com o solo por 723 metros, abrindo um sulco de até 6 centímetros na superfície da pista.
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A Advertência "V-speeds unavailable"
Os investigadores destacaram um momento crítico durante a fase pré-voo em que o Flight Management Computer (FMC) disparou uma mensagem “Velocidades V indisponíveis”. Isso ocorreu porque o peso inserido era tão baixo que as velocidades calculadas ficaram fora da envelope operacional seguro da aeronave para o comprimento de pista disponível. No entanto, a tripulação não identificou a causa subjacente da mensagem e procedeu com a partida.
A situação acabou sendo corrigida em voo após a intervenção do comandante de cruzeiro, que estava no assento auxiliar.
“O comandante de cruzeiro, observando a situação, ordenou a seleção da potência máxima de decolagem 12 segundos depois do início da rotação.”
Essa sobreposição manual forneceu a energia necessária para que a aeronave finalmente ganhasse altura, ultrapassando a extremidade oposta da pista por apenas 155 pés.

Impacto nas Operações de Voo e Resumo do Incidente
A tabela a seguir resume os detalhes específicos do voo e o impacto operacional resultante do erro de cálculo de peso e dos danos na célula:
| Nº do Voo | Rota | Hora de Partida | Hora de Chegada | Duração | Dias de Operação |
|---|---|---|---|---|---|
| LA8073 | MXP (Milan) – GRU (São Paulo) | 11:26 AM | 12:37 PM (Return) | 1h 11m | Voo do incidente |
| LA9540 | GRU (São Paulo) – VCV (Victorville) | 04:23 AM | 10:49 AM | 10h 26m | Voo de ferry/reparo |
Nota: Após o incidente, a aeronave (Registration: PT-MUG) ficou imobilizada por aproximadamente sete meses para extensos reparos estruturais antes de retornar ao serviço.
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Lições sobre Automação de Cabine e Verificação
O relatório final da ANSV serve como um lembrete contundente do princípio "garbage in, garbage out" em cockpits modernos com displays de vidro. Apesar de haver três pilotos na cabine de comando, incluindo um instrutor, a discrepância de 30 nós na velocidade de rotação passou despercebida até que a batida física ocorreu.
A agência recomendou que as companhias aéreas implementem etapas de verificação independentes mais robustas, sugerindo que as tripulações comparem manualmente as velocidades geradas pelos EFBs com cartas "papel" padronizadas ou com experiências anteriores para detectar discrepantes tão grandes.
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